Glossário
O que é PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos)?
Documento obrigatório pela NR-1 que inventaria, avalia e prioriza riscos ocupacionais (físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais) com plano de ação para mitigação.
Última atualização:
Definição completa
O PGR é o instrumento central do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) previsto na NR-1. Toda organização que admite empregados sob regime CLT deve elaborá-lo, implementá-lo e mantê-lo atualizado, com revisão mínima a cada dois anos ou a cada evento significativo.
Estruturalmente, o PGR contém o inventário de riscos por setor/atividade, a avaliação de severidade e probabilidade (matriz de risco), o plano de ação com responsáveis e prazos, e os indicadores de monitoramento. A partir de 26/05/2026 é obrigatório incluir os riscos psicossociais com a mesma profundidade dos demais.
Empresas até 19 empregados em grau de risco 1 ou 2 podem substituir o PGR pelas Declarações de Inexistência de Riscos quando aplicável; demais empresas precisam manter PGR completo, com chancela do SESMT ou de profissional habilitado.
Base legal
- NR-1 (Portaria MTE 765/2025)
- NR-9
- CLT Art. 157
Exemplos práticos
- Indústria metalúrgica com inventário de ruído + risco psicossocial de turno
- Hospital classificando exposição biológica e demanda emocional
- Empresa de TI mapeando carga cognitiva e isolamento de home office
Aprofundamento técnico
O PGR é o documento operacional da NR-1 — concentra inventário de perigos, avaliação de riscos, plano de ação e cronograma de implementação. Para empresas com SESMT, é elaborado pela equipe interna; para as demais, exige responsável técnico habilitado.
Após a Portaria MTE 765/2025, o PGR deve incluir explicitamente os 11 fatores psicossociais, com avaliação de severidade, probabilidade e exposição. A metodologia recomendada combina dados quantitativos (afastamentos, turnover) com qualitativos (canal de denúncia, pesquisas).
A revisão é obrigatória sempre que houver mudança organizacional relevante, acidente grave ou novo perigo identificado — ou no mínimo a cada 2 anos. Evidência de revisão e participação dos trabalhadores deve constar formalmente no documento.
Como o Ethos cobre PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos)
A plataforma Ethos automatiza o cumprimento de obrigações relacionadas a PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) via canal anônimo + IA + relatório PGR-ready.
Ver no softwarePerguntas frequentes
Qual a periodicidade de revisão do PGR?
No mínimo a cada dois anos, ou imediatamente após acidente grave, alteração significativa de processo, mudança de layout, novas evidências do canal anônimo ou recomendação de auditoria fiscal.
PGR e PCMSO são a mesma coisa?
Não. O PGR (NR-1) inventaria riscos; o PCMSO (NR-7) define o controle médico de saúde dos expostos. São complementares — o PCMSO se baseia no PGR para definir exames ocupacionais.
Microempresa precisa fazer PGR?
Sim, mas pode adotar formato simplificado conforme item 1.5.4.4 da NR-1. Empresas grau de risco 1 e 2 com até 19 empregados ficam dispensadas do PGR formal se não houver exposição comprovada — a NR-1 atualizada exige reavaliação caso a caso.
O PGR substitui o PCMSO?
Não. PGR é gestão de riscos; PCMSO é programa médico (NR-7). São complementares e devem dialogar — risco identificado no PGR pode demandar exame complementar no PCMSO.
Onde PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) se aplica
Setores em que PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) tem incidência regulatória direta:
Construção Civil
Indústria com alta rotatividade, múltiplos vínculos terceirizados, hierarquia rígida de obra e exposição combinada de riscos físicos, ergonômicos e psicossociais.
Saúde Hospitalar
Hospitais e clínicas concentram demanda emocional alta (contato com sofrimento), turnos extensos, hierarquia médica rígida e risco biológico — combinação clássica de adoecimento mental.
Indústria Farmacêutica
A indústria farmacêutica brasileira combina linhas de produção altamente regulamentadas (ANVISA, GMP), pressão por compliance regulatório, salas limpas com biossegurança e jornadas de turnos rotativos. P&D e área comercial sofrem pressão por metas de lançamento e visitação médica, enquanto a fábrica enfrenta exigências contínuas de qualidade que restringem autonomia. A combinação de procedimentos rígidos, auditorias frequentes e responsabilidade civil/sanitária cria carga mental constante. Operadores de produção, analistas de QC, propagandistas e área de pesquisa apresentam perfis distintos de adoecimento — o que torna a segmentação por vínculo e função essencial no inventário NR-1.
Tecnologia e Software
Empresas de software, SaaS e desenvolvimento sob demanda combinam jornadas mentalmente intensas, prazos curtos de sprint, on-call 24/7 e cultura informal que muitas vezes mascara assédio moral velado. O trabalho remoto e híbrido amplifica conflito trabalho-família e isolamento social. Squads enxutas concentram alta responsabilidade em poucas pessoas, com pressão por entrega contínua, code review público e métricas individuais de produtividade. Em escalas pequenas (startups), há também insegurança ligada a runway e captação. Em grandes techs, a hierarquia matricial com múltiplos stakeholders gera conflito de papéis e ambiguidade — fator psicossocial expresso da NR-1.
Varejo
O varejo brasileiro concentra alta rotatividade (~60% ao ano em algumas redes), jornadas em escala 6×1 e turnos com pico de demanda (Black Friday, Natal). Operadores de caixa, repositores e vendedores comissionados sofrem pressão por metas, exposição a clientes hostis (rage de consumo) e baixa autonomia sobre o próprio ritmo. Lojas de shopping têm jornada extensa com domingos e feriados, gerando conflito trabalho-família. A hierarquia de loja (gerente → subgerente → fiscal → operador) costuma reproduzir padrões de humilhação pública, especialmente em reuniões de meta. O isolamento de unidades em redes capilarizadas dificulta canais corporativos chegarem ao varejista de campo.
Supermercados
Supermercados operam com grande contingente de empregados de baixa qualificação, jornadas em escalas variadas, exposição a temperaturas (câmaras frias, açougue), peso (reposição) e contato direto com cliente — combinação ergonômica e psicossocial intensa. Áreas de açougue, peixaria e padaria têm risco físico somado a hierarquias rígidas. Operadores de caixa concentram tarefas repetitivas, sentar-prolongado e atrito com cliente. A cultura de 'cliente sempre tem razão' empurra colaboradores a tolerar agressões verbais. Redes regionais costumam ter rotatividade alta e pouca estrutura de SST, tornando o inventário psicossocial particularmente necessário.
Modelos jurídicos relacionados
Templates prontos para implementar conformidade com PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos):
Modelo de PGR — Riscos Psicossociais (NR-1)
Programa de Gerenciamento de Riscos com foco em fatores psicossociais, conforme NR-1 atualizada.
Plano de Ação NR-1 — Template Estruturado
Estrutura tabular padrão de plano de ação NR-1 com campos obrigatórios e periodicidade.
Estrutura de Relatório PGR-Ready (Modelo Apresentável ao MTE)
Estrutura de relatório PGR pronta para fiscalização: capa, sumário, inventário, matriz, plano, anexos.