Glossário
O que é Fator Psicossocial?
Cada uma das 11 dimensões reconhecidas pela NR-1 atualizada como potencialmente geradoras de adoecimento mental no trabalho, exigindo inventário e mitigação no PGR.
Última atualização:
Definição completa
Um fator psicossocial é uma característica específica do ambiente, da organização ou da gestão do trabalho que pode impactar negativamente a saúde mental dos trabalhadores. A NR-1 atualizada reconhece 11 fatores que devem ser inventariados, avaliados e tratados no PGR.
Os fatores incluem: carga e ritmo de trabalho, demanda emocional, controle e autonomia, conflito de papéis, apoio social/liderança, reconhecimento e recompensa, conflito trabalho-família, insegurança no trabalho, assédio moral, assédio sexual e discriminação. Cada um requer indicadores próprios e medidas de controle distintas.
Diferentemente de risco psicossocial (que é o resultado da exposição), o fator psicossocial é a causa identificável e tratável. O PGR deve relacionar fator → exposição → consequência → medida de controle, com responsável e prazo.
Base legal
- NR-1 (Portaria MTE 765/2025)
- ISO 45003:2021
- Convenção 190 OIT
Exemplos práticos
- Carga: pico sazonal sem reforço de equipe
- Demanda emocional: atendimento a clientes hostis
- Apoio social: gestor inacessível ou liderança tóxica
Aprofundamento técnico
Os 11 fatores psicossociais reconhecidos pela NR-1 derivam do modelo demanda-controle-suporte de Karasek-Theorell e do modelo desequilíbrio esforço-recompensa de Siegrist, ambos consolidados na ISO 45003.
Cada fator deve ser avaliado por exposição (frequência, duração, intensidade) e por resultado (afastamento, queixas, indicadores). A presença isolada de um fator não configura necessariamente risco alto — é a combinação que pesa na severidade final.
Como o Ethos cobre Fator Psicossocial
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Ver no softwarePerguntas frequentes
Posso agrupar os 11 fatores em uma só análise?
Não recomendado. Cada fator tem dinâmica própria e medidas distintas. A NR-1 espera tratamento individualizado, embora análise transversal seja útil para identificar correlações.
Como medir um fator psicossocial?
Combinação de instrumentos validados (COPSOQ, JCQ), entrevistas qualitativas, análise de afastamentos por CID-F e relatos do canal anônimo cruzados por setor e vínculo.
Posso usar pesquisa anônima como evidência de mapeamento?
Sim — pesquisa estruturada com instrumento validado (COPSOQ III é o padrão internacional) é evidência aceita. O importante é a metodologia documentada e a representatividade da amostra.
Onde Fator Psicossocial se aplica
Setores em que Fator Psicossocial tem incidência regulatória direta:
Construção Civil
Indústria com alta rotatividade, múltiplos vínculos terceirizados, hierarquia rígida de obra e exposição combinada de riscos físicos, ergonômicos e psicossociais.
Saúde Hospitalar
Hospitais e clínicas concentram demanda emocional alta (contato com sofrimento), turnos extensos, hierarquia médica rígida e risco biológico — combinação clássica de adoecimento mental.
Indústria Farmacêutica
A indústria farmacêutica brasileira combina linhas de produção altamente regulamentadas (ANVISA, GMP), pressão por compliance regulatório, salas limpas com biossegurança e jornadas de turnos rotativos. P&D e área comercial sofrem pressão por metas de lançamento e visitação médica, enquanto a fábrica enfrenta exigências contínuas de qualidade que restringem autonomia. A combinação de procedimentos rígidos, auditorias frequentes e responsabilidade civil/sanitária cria carga mental constante. Operadores de produção, analistas de QC, propagandistas e área de pesquisa apresentam perfis distintos de adoecimento — o que torna a segmentação por vínculo e função essencial no inventário NR-1.
Tecnologia e Software
Empresas de software, SaaS e desenvolvimento sob demanda combinam jornadas mentalmente intensas, prazos curtos de sprint, on-call 24/7 e cultura informal que muitas vezes mascara assédio moral velado. O trabalho remoto e híbrido amplifica conflito trabalho-família e isolamento social. Squads enxutas concentram alta responsabilidade em poucas pessoas, com pressão por entrega contínua, code review público e métricas individuais de produtividade. Em escalas pequenas (startups), há também insegurança ligada a runway e captação. Em grandes techs, a hierarquia matricial com múltiplos stakeholders gera conflito de papéis e ambiguidade — fator psicossocial expresso da NR-1.
Varejo
O varejo brasileiro concentra alta rotatividade (~60% ao ano em algumas redes), jornadas em escala 6×1 e turnos com pico de demanda (Black Friday, Natal). Operadores de caixa, repositores e vendedores comissionados sofrem pressão por metas, exposição a clientes hostis (rage de consumo) e baixa autonomia sobre o próprio ritmo. Lojas de shopping têm jornada extensa com domingos e feriados, gerando conflito trabalho-família. A hierarquia de loja (gerente → subgerente → fiscal → operador) costuma reproduzir padrões de humilhação pública, especialmente em reuniões de meta. O isolamento de unidades em redes capilarizadas dificulta canais corporativos chegarem ao varejista de campo.
Supermercados
Supermercados operam com grande contingente de empregados de baixa qualificação, jornadas em escalas variadas, exposição a temperaturas (câmaras frias, açougue), peso (reposição) e contato direto com cliente — combinação ergonômica e psicossocial intensa. Áreas de açougue, peixaria e padaria têm risco físico somado a hierarquias rígidas. Operadores de caixa concentram tarefas repetitivas, sentar-prolongado e atrito com cliente. A cultura de 'cliente sempre tem razão' empurra colaboradores a tolerar agressões verbais. Redes regionais costumam ter rotatividade alta e pouca estrutura de SST, tornando o inventário psicossocial particularmente necessário.
Modelos jurídicos relacionados
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